quarta-feira, 29 de março de 2017

Frank Zappa - Bolero de Ravel

Último texto



1. Este será o último texto que escrevo aqui. Põe fim a 20 anos e quero agradecê-los. O PÚBLICO foi um grande jornal do mundo graças a milhares de pessoas. Que bom ter feito parte dessa aventura.

2. Entrei para os quadros deste jornal em Março de 1998. Antes, escrevera nele por um ano, paga à peça, entre 1990 e 1991. A soma dos meus 20 anos remonta, pois, ao arranque do PÚBLICO. Como centenas de jovens de todo o país, tentei entrar para o primeiro grupo de estagiários quando o projecto foi anunciado. Já era jornalista com carteira mas ainda não terminara o curso (Comunicação, na FCSH da Nova). Quem estava a norte fez a prova no Porto. Quem estava a sul, como eu, fez em Lisboa. Lembro-me de uma plateia de cabeças no Fórum Picoas, num sábado de manhã, por certo demasiado cedo. Era 1989, eu tinha 21 anos, fazia noites na rádio, ainda havia estações piratas, escrevíamos à mão. Tempos antes, a TSF abrira candidaturas e as inscrições tinham de ser manuscritas. Chumbei logo nessa etapa (nunca soube o que revela a minha letra). E voltei a chumbar na prova do PÚBLICO: não me chamaram para o grupo dos que iam ser treinados por jornalistas lendários, como Adelino Gomes. Mas recebi uma carta a dizer que poderia propôr textos quando o jornal chegasse às bancas. Agarrei-me a isso, começando pelo Local, editado por Francisco Neves, onde muito aprendi. Ia saltando de secretária consoante quem folgasse. Até que a Paula Torres de Carvalho entrou em licença de parto e por uns meses atribuíram-me o lugar dela na Sociedade. Aquilo era um antro de craques da escrita, desde Rui Cardoso Martins (saído da faculdade) aos veteranos José Amaro Dionísio (poeta que eu lia) ou Rogério Rodrigues (pai de um Tiago então com 13 anos que hoje está no Rossio). O ciclone Vicente Jorge Silva soprava de uma ponta a outra na Quinta do Lambert. Escrevíamos em ecrãs a preto e branco. Os computadores eram umas caixinhas com uma ranhura para as disquetes. As disquetes serviam para transportar textos. As notícias chegavam à sala dos telexes, que jorravam rolos de papel com furinhos. A palavra Internet estava no ovo do futuro. Quando precisávamos de comunicar com o estrangeiro, íamos às máquinas enviar um fax, ou falávamos uma fortuna no telefone fixo. Os primeiros telemóveis de que me lembro são do ano seguinte, uns tijolos que as rádios usavam. Porque, em Março de 1991, quando Francisco Sena Santos se mudou da TSF para as manhãs da Antena 1, fui integrar a equipa dele, com salário fixo.

3. Mas fiz uma perninha no PÚBLICO logo depois, em Agosto, no golpe que levou ao fim da URSS. Eu estava de férias em Moscovo e a rádio ficara com o número de telefone da família que me alojava. Às cinco da manhã, Sena Sentos acordou-me a dizer que Gorbatchov fora sequestrado. Passei a enviada especial da rádio nesse momento. E, como era Agosto, e o correspondente do PÚBLICO, José Milhazes, estava de férias em Portugal, comecei a escrever para o jornal também, até Teresa de Sousa chegar, dias depois. Foi a minha primeira reportagem internacional, sem gravador, computador ou telemóvel. Entrava em directo por aquele telefone fixo do tempo de Brejnev, sendo que aquilo ainda era a URSS. Não podia ligar directamente para o estrangeiro, tinha de agendar com a telefonista. E, para o jornal, escrevia à mão e ditava.

4. Passaram sete anos. Vicente Jorge Silva e Jorge Wemans deixaram o PÚBLICO. O começo de 1998 foi uma fase de transição no jornal, gente a sair, a entrar. Um dia ligou-me a Isabel Salema, que fizera parte daquele primeiro grupo de estagiários (como o Rui e a Alexandra Prado Coelho, que tinham sido da minha turma na faculdade, o Paulo Moura, o Pedro Rosa Mendes, a Bárbara Simões, o Vasco Câmara, tantos outros). Encontrei-me com a Isabel num café das Amoreiras e ela perguntou se eu queria ir para o jornal. Havia duas hipóteses na mesa: ser jornalista do Internacional ou ir editar o suplemento “Leituras”, até aí feito por Tereza Coelho, que acabava de sair. Ambas aconteceram, por essa ordem.

5. O Internacional era uma jóia do PÚBLICO. Ali estavam Teresa de Sousa e Jorge Almeida Fernandes, enciclopédias vivas, mais a enciclopédia de Médio Oriente que era a editora Margarida Santos Lopes. Estava o impassível João Carlos Silva, que parecia nascido para editar, fosse o Internacional ou a revista Pública, durante anos. Estavam jovens grandes repórteres como a Alexandra, o Paulo, o Pedro, jornalistas especialistas em cada parte do mundo, dezenas de correspondentes internacionais. Aquele era o jornal que tinha arrancado na Guerra do Golfo de 1990, com Adelino Gomes e tantos outros como enviados. E continuava a ser. A minha primeira pasta foi Europa de Leste e Rússia (onde eu continuara a ir, para a rádio). Assim me achei em Iasnaia Poliana, a terra dos Tolstoi, pelo Verão de 98.

6. Mas a Cultura ia montar uma equipa nova, e meses depois mudei-me para lá. Fui editar a secção, com a Isabel Salema, e o suplemento “Leituras” (que entretanto fora assegurado por Mário Santos, leitor raro, vastíssimo). A Cultura era outra jóia do PÚBLICO, outro antro de craques, todo um histórico desde a fundação, passando pelas barbas do ex-editor Torcato Sepúlveda. Ali moravam críticos de teatro como Manuel João Gomes! O luxo de o ouvir contar dos surrealistas, de Luiza Neto Jorge ou da vantagem de comer sopa logo pela manhã. Ou críticos de música como Fernando Magalhães, um génio que escrevia sobre musas celtas enrolado no cachecol do seu clube. Ali estava o Jaime Rocha dos poemas e das peças, que para nós será sempre Rui Ferreira e Sousa, o cabelo branco mais bonito das redacções. E grandes jovens jornalistas e/ou críticos, que se matavam a trabalhar: Kathleen Gomes, Lucinda Canelas, Joana Gorjão Henriques, Tiago Luz Pedro, Rui Catalão, Pedro Ribeiro. Isto era na Quinta do Lambert, já noutro edifício, mas meio mundo ainda fumava. O Vasco fumava à minha frente, a Isabel fumava à minha esquerda, e eu fumava no meio das torres de livros do “Leituras”, que se acumulavam entre o meu computador e a parede. Mesmo com parede, havia desmoronamentos. E ministros da Cultura que caíam, e ofertas de pancada. A guerra diária tinha muitas frentes, várias páginas conquistadas na reunião de editores da manhã, e ainda havia a guerra semanal dos suplementos. Aquela secção era um reboliço de gente a chegar com discos, a sair com livros, a ir para a rua, várias gerações cruzadas, um caldo de memória do século XX, património e contra-cultura, colectivos e solitários. A gente fechava páginas às tantas da noite, e podia continuar a escrever até chegarem as empregadas da limpeza, e então ia tomar o pequeno-almoço, para voltar à guerra, outra vez.

7. A Cultura teve vários suplementos desde o começo do PÚBLICO. Antes de o milénio virar, passou a ter dois, novos. Um para livros, música clássica, artes e arquitectura, o “Mil Folhas”, de que eu era editora. Outro para cinema, música pop, dança e teatro, o “Y”, de que o Vasco era editor. Foi o Eduardo Prado Coelho que sugeriu Mil Folhas, e eu abandonei logo a minha lista de maus nomes. Foi também o Eduardo que sugeriu jovens estudantes de Letras, como Clara Rowland e Francisco Frazão, para juntar aos muitos críticos já ligados ao jornal. Além de assinar uma página no “Mil Folhas”, o Eduardo foi sempre um conselheiro. Morreu há dez anos, e a falta que nos faz, em humor e inteligência, cultura e argúcia. Ninguém em Portugal ocupou o seu papel, os seus vários papéis. De resto, gostava de ter aqui espaço para agradecer a todos os críticos com quem trabalhei semanalmente, e me aturaram inexperiências, tantas. Além do Eduardo, havia vários colunistas regulares. O Jorge Silva Melo foi um deles, e não há dia em que eu receba aqueles mails dos Artistas Unidos sem lhe tirar o chapéu pela persistência, por tudo o que deu e dá a este país capaz de abandonar os melhores. Um dia, no meio de um descampado, discuti com o Jorge ao telefone, sei lá eu já porquê. Que parvoíce. Que saudades de o ler. Que sorte ter feito parte do meu trabalho ler gente assim, ter feito o “Mil Folhas” quando havia tantas editoras independentes, tê-lo feito com a Ivone Ralha a paginar, e o Jorge Silva como director de arte, sempre a brigar por mais ilustração. Ser possível fazer números especiais quando o Manuel Hermínio Monteiro morreu, a Sophia morreu, o Cesariny morreu (tantos desenhos, fotografias, manuscritos que ficaram algures no PÚBLICO). Poder ter Vítor Silva Tavares a escrever sobre Almada, e bater no computador a “cartinha” dele, que era o texto. Convidar Ernesto Sampaio a escrever crítica de teatro, recebê-lo na redacção, publicar os seus textos. Tantos textos do caraças.

8. Estive na Cultura por anos, com um pé volta e meia no Internacional. No 11 de Setembro, o PÚBLICO já estava no edifício de Picoas (terceira mudança), e atulhámo-nos todos madrugada dentro, para fazer uma segunda edição. Voei para o Paquistão logo a seguir, estive um mês a tentar passar a fronteira afegã, depois esperei sete anos para viajar pelo Afeganistão. Mas pelo meio, aconteceu o Médio Oriente: Israel/Palestina, Iraque, Jordânia, Líbano. E isso tem origem na Cultura. Tudo porque a nova Biblioteca de Alexandria ia abrir na Primavera de 2002, eu queria conhecer a cidade e a inauguração era um bom gancho. Propus ir um mês, como se fosse de férias, mas o jornal dava-me esse tempo, e eu escrevia para o jornal. Só que, quando aterrei no aeroporto do Cairo, a Margarida Santos Lopes ligou-me, e esse telefonema mudou o meu destino. O exército israelita estava a invadir as cidades palestinianas, na sequência de uma série de atentados suicidas. A Margarida perguntava se eu não podia ir cobrir aquilo. Eu não fazia bem ideia do que era aquilo, nem sequer onde era Ramallah, mas fui. Em vez de apanhar um autocarro para Alexandria, apanhei um avião para Jerusalém. Acabei por ir a Alexandria em finais desse ano porque a inauguração da Biblioteca foi adiada, mas a paixão por Jerusalém e tudo em volta dura até hoje, e devo-a à Margarida. Essa Primavera de 2002 teve cerco à Basílica da Natividade, recolher obrigatório em Ramallah, massacre em Jenin, e tiveram de me arrancar de Gaza ao fim de mês e meio a escrever todos os dias, porque já ninguém aguentava mais textos sobre o assunto, nem esperar que eu os enviasse às tantas da noite.

9. Aproveito para agradecer a toda a gente que esperou in extremis por textos meus sem arrancar cabelos, fosse de Gaza ou de Trás-os-Montes. E, a propósito de Trás-os-Montes, este texto é centrado na redacção de Lisboa porque era a minha, mas fui feliz um mês na redacção do Porto, correndo serras e léguas com o Paulo Pimenta ou o Nelson Garrido a fotografar. Tudo o que fizemos, dessa vez ou noutras, da nascente do Sabor ao Padre Fontes, passando pela visita a Margarida Cordeiro, e pelos territórios do cinema de António Reis, está entre as reportagens de que mais gostei na vida.

10. Além da Cultura e do Internacional, trabalhei vários anos na Pública, onde tive outra grande editora, a Dulce Neto. A Joana Amado foi minha editora em diferentes alturas, nomeadamente nos anos do Brasil. Gostaria de ter integrado em algum momento a equipa de José Vítor Malheiros na Ciência. O anjo da guarda da direcção e de todos nós era a Lucília Santos. Secretárias como Isabel Anselmo e Paula Dias não perderam a paciência, idem para desks como Rita Pimenta e Manuela Barreto, ou a telefonista São ou a Leonor Sousa, no Centro de Documentação, que me ajudou tanto. Coadjuvado por Nuno Pacheco, o director que tive por mais tempo foi José Manuel Fernandes, com quem travei discussões tão épicas como daquela vez em que o relógio dele voou contra o vidro do gabinete. Essa foi por causa do Conselho de Redacção. De resto, da invasão do Iraque ao conflito israelo-palestiniano, estávamos em desacordo em quase tudo. Mas isto nunca se traduziu em qualquer obstáculo a que eu fosse enviada ou escrevesse, que eu saiba. Foi JMF quem deu luz verde a várias propostas minhas, como ir morar para Jerusalém como correspondente improvisada. Também foi ele quem me convidou a escrever crónicas, nem sei bem há quanto tempo, 18 anos? A primeira série chamava-se Erva-moira e era uma tortura tão grande que ao fim de um tempo deixei um bilhete a JMF, a dizer que era melhor esquecermos. Em Jerusalém, voltei a fazer crónicas, chamavam-se Oriente Próximo. Mais tarde, Viagens com Bolso, depois Atlântico-Sul. Optei por deixar os quadros em Dezembro de 2012, quando morava no Rio de Janeiro. Desde então, acordei com o jornal algumas reportagens (primeiro mensais, depois anuais) e uma crónica semanal, que desde a volta do Brasil se chama Não ficções. Esta é a última. Amanhã vou trepar pelas paredes por causa do que esqueci. Muito obrigada a quem fez este jornal, e a quem o leu. O PÚBLICO é desses muitos. Que inspirem quem vier.


Alexandra Lucas Coelho
https://www.publico.pt/2017/03/27/opiniao/noticia/ultimo-texto-1766618

terça-feira, 28 de março de 2017

Quanto à sessão de 6ª à tarde, recebi as seguintes indicações:

A da universidade será dia 31 de março pelas 17h, na sala 1.18 do Complexo Pedagógico de Penha, e faz parte dos Seminários Temáticos do 1º ano do Mestrado em Comunicação, Cultura e Artes da UAlg. É aberto à comunidade académica (e são avisados os alunos do Mestrado deste ano e do ano anterior, assim como outros professores além de mim).

Já cá canta: nova aquisição para Favola


Sexta à tarde, darei uma conferência sobre Free-jazz na Universidade do Algarve e, depois, haverá isto:

MAR
31
Jazz e Poesia com Miguel Martins e António Caeiro

Friday at 7:30 PM - 9 PM
3 days from now · 11–20° Partly Cloudy
Sul, Sol e Sal
Rua Vasco da Gama, 18, 8700-522 Olhão

A Sul, Sol e Sal apresenta JAZZ e POESIA uma sessão de leituras, proposta por Ana Isabel Soares, com Miguel Martins (poeta, editor, tradutor, arqueólogo, músico, autor do blogue O Único Verdadeiro Deus Vivo e dinamizador das quintas-feiras de leitura, há mais de duzentas edições, no Bar A Barraca, em Lisboa) e António de Castro Caeiro, também tradutor, classicista, professor de Filosofia na Universidade Nova de Lisboa.

Serão lidos textos de Abel Neves, Andre Shan Lima, António Ferro, Fernando Grade, Jack Kerouac, Jacques Chessex, Jorge de Sena, José do Carmo Francisco, Levi Condinho, Manuel de Freitas, Rui Reininho, Vasco Gato e Virgílio de Lemos.

Música popular: 3 X 007 segundo Shirley Bassey

segunda-feira, 27 de março de 2017

Viver do amor - as mariposas



Portami nel luogo più triste di Lisbona, ho chiesto a una studentessa della capitale portoghese quando si è offerta di farmi girare la città.
Ogni città ha la sua dose di tristezza. [...] La tristezza di Lisbona è la tristezza dell’impero perduto. Questa è la città da cui diversi navigatori salparono alla conquista del mondo. Oggi è una città che conta mezzo milione di abitanti, considerata di secondo ordine in un continente che non domina più il mondo. È questa la tristezza che descrive il grande poeta portoghese Fernando Pessoa: «Aggiustiamo il passato / come si aggiusta un vestito / Nell’inquietudine che la quiete deve portare nelle nostre vite / Quando tutto ciò che facciamo è pensare a ciò / che eravamo, e fuori / c’è solo la notte».
È risaputo che la poesia è la forma espressiva che meglio comunica la tristezza. Quindi non c’è da meravigliarsi che la città più triste d’Europa che io abbia mai visto abbia anche compiuto lo sforzo più donchisciottesco in cui io mi sia imbattuto negli ultimi anni.
A Lisbona ho incontrato un giovane di nome Changuito, che lo scorso novembre ha aperto una libreria che si chiama Poesia Incompleta, interamente dedicata alla poesia. La libreria consta di due stanze e un giardino; nelle due stanze ci sono scaffali pieni di libri di poesia e, dietro i libri, scatoloni pieni di volumi di poesia non catalogati.
Il negozio non vende nessun altro tipo di libri: niente fiction, non fiction, niente cd, niente giochi, caffè, vino, musica dal vivo, nulla, nessun happening. È un negozio che si frequenta solo se si ama la poesia, ci si siede all’interno o nel giardino e si leggono libri che Changuito e la sua fidanzata comprano durante i loro viaggi in giro per il mondo.
Per me una libreria, che si trovi a Bombay, Roma o New York, passa l’esame in base alla sua sezione di poesia. È da quel reparto che si può capire se il proprietario è lì per passione o per avidità di ricchezza. La maggior parte delle grandi catene di librerie americane relegano la poesia nel retro o nel seminterrato del negozio, come se fosse un segreto colpevole. La poesia non porta soldi a nessuno; è un dono. Da questo punto di vista, la libreria di Changuito è un vero tesoro, un concentrato di doni. Mi ha fatto piacere vedere, ad esempio, sul sito Internet del negozio (poesia-incompleta.blogspot.com), il miglior libro di poesia indiana in lingua inglese degli ultimi anni: "Jeuri" di Arun Kolatkar. È la sola libreria interamente dedicata alla poesia che io abbia mai visto.
Ma chi legge poesia di questi tempi? Tutti noi. Ogni volta che ascoltiamo musica pop, ascoltiamo il testo, un’elegante condensazione di esperienza dentro il linguaggio. Dio ci parla esclusivamente in versi. Quando ci rechiamo in chiesa o in una moschea o in un tempio, le scritture che ascoltiamo o gli inni che cantiamo sono tutti scritti in metri. La poesia ci plasma più di quanto immaginiamo e siamo pronti a riconoscere.
La studentessa cui ho dato l’incarico di portarmi nel luogo più triste di Lisbona mi ha accompagnato, com’era prevedibile, in un piccolo ristorante dove suonano il fado, quella musica esclusivamente triste che parla di perdita. Ma la libreria Poesia Incompleta è un luogo ancora più triste – e non intendo una tristezza nel senso tragico del termine. Il negozio è pieno di saudade, la tristezza nostalgica – quella che lo scrittore turco Orhan Pamuk chiama "huzun", o malinconia, «uno stato d’animo che in definitiva afferma e nega la vita contemporaneamente». Quando ci penso ora, l’impresa impossibile di Changuito nel centro di quella dolorosa città, mi rende inesplicabilmente felice.

Suketu Mehta
(L’Espresso, 25 giugno 2009)
traduzione di Rosalba Fruscalzo


sexta-feira, 24 de março de 2017

3 X Amiga Ana Água em ENSAIO PARA UMA CARTOGRAFIA (OU OS SETE PECADOS) de Mónica Calle




Annette Peacock - I'm The One (Full Album)

Paul Bley - Improvisie



This wild live recording made in Europe features Paul Bley and Annette Peacock during their "synthesizer show" period circa 1971. Bley was probably the first jazz musician of note to adopt the synthesizer as a primary instrument. The experiment was of short duration but still yielded some fascinatingly forward-looking music. The Dutch free jazz percussionist Han Bennink makes a joyful noise throughout. Peacock also provides a typically wrenching vocal on her own composition "Touching."

The Jazz Doctors - Intensive Care



One:
1. Little Melonae
2. Ballas with one L
3. Spooning

Two:
1. Loweology
2. Blood on the Cross
3. Lonely Woman

Billy Bang, violin
Frank Lowe, tenor
Rafael Garrett, bass
Dennis Charles, drums

Cadillac Records, 1984

33 1/3rpm

1€




Poesia às Quintas – com Miguel Martins – 228ª sessão – Bar a Barraca – 30 de Março – 22.30h – entrada grátis

MM lê 12 páginas de Kerouac sobre a sua estadia em Tânger e 2 de Daniel Rondeau sobre o mesmo assunto.
Drogadictos de todo o mundo, uni-vos!

Quem não aparecer gosta de comer ananases com casca.


Ontem, n'A Barraca, perante uma audiência de 23 pessoas
(fotos: Joana Azevedo).